Com o objetivo de criar uma espécie de “biblioteca” com os conceitos de segurança da informação, vou fazer algumas postagens iniciais com a explicação de alguns termos. Vai ser mais ou menos um “be-a-bá” sobre o assunto, vale a pena acompanhar.
Para começar, um termo que está cada vez mais – infelizmente – sendo usado: cyberbullying. Você sabe exatamente o que essa palavrinha complicada quer dizer? Mais que isso, consegue identificar se o seu filho (ou algum professor dele) está sendo vítima desse crime? Sabe como orientar seus filhos a não entrar nessa fria? Nessa postagem, vou explicar o que significa cyberbullying. As outras dicas serão publicadas em postagens posteriores.
Quando éramos garotos – estou hoje com 40 anos – era comum acontecer nas escolas a seguinte situação: um coleguinha era escolhido “pra Cristo” na turma, geralmente por causa de alguma característica física (uma orelha grande ou a perna fina, por exemplo) ou de personalidade (muito tímido, arrogante, irritadiço) e todos começavam a caçoar dele (ou dela) em função disso. A duração da “brincadeira” dependia do grau de chateação da “vítima”: se essa ficasse brava e irritada, levava mais tempo; caso contrário, era logo substituído por outro.
Em uma variação também frequente, algum coleguinha mais forte abusava dos demais, escolhendo uma vítima para bater e agredir – física ou moralmente – repetidas vezes. Esse tipo de ocorrência é mostrada em diversos filmes que retratam a relação entre alunos de colégios, sendo mesmo comum em todo lugar onde se reúnam grupos de crianças e adolescentes.
Normalmente (quase sempre) isso ficava restrito ao âmbito da própria escola e não deixava maiores consequências. Na época, não havia um nome para essa atitude, que fora do país ficou conhecida como Bullying – em uma tradução livre “agir como valentão“. E, naquele tempo, era bem isso mesmo que acontecia. Na verdade, ainda acontece, mas a prática está sendo aos poucos substituída como veremos a seguir.
Com a popularização dos meios de comunicação – internet, em especial – aliada à maior liberalidade que as crianças usufruem nos dias atuais, o Bullying “evoluiu” para uma praga devastadora: o Cyberbullying. Hoje, grupos de crianças e adolescentes criam páginas ou comunidades em redes sociais (veja o glossário no final da postagem) para difamar, agredir e atingir seus desafetos. Pode ser um menino que “roubou” a namorada de outro, um professor mais durão e pouco simpático, uma menina que é querida (e por isso invejada) por outras… as vítimas em potencial são muitas e os estragos causados são imensos. Mais recentemente, telefones celulares também estão sendo usados para cometer esse crime: o “alvo” recebe dezenas de mensagens diariamente com ameaças e provocações – em resumo, um inferno na vida de qualquer pessoa, potencializado quando se trata de uma criança ou adolescente.
Assim, em termos gerais, “cyberbullying” significa a utilização de recursos de TI para praticar atos hostis e repetidos contra outra pessoa. Como a internet tem alcance mundial, é óbvio que essas ofensas não ficam mais restritas ao colégio ou bairro onde os envolvidos estão. As imagens e textos correm o mundo inteiro em segundos, podendo destruir vidas e traumatizar meninos e meninas para sempre. Há relatos e notícias – muitos, como publicaremos com frequência nesse blog – de pessoas que precisaram mudar de colégio, de bairro e até mesmo de cidade ou estado por causa das agressões que vinham sofrendo.
Pior que isso: enquanto no bullying “tradicional” as ofensas cessavam quando a vítima ia embora, no mundo virtual elas o perseguem o tempo inteiro, através de e-mails e torpedos. E como nossos filhos usam a tecnologia quase todo o tempo em que estão acordados, é praticamente impossível fugir e o problema o persegue a todo instante. Além disso, no bullying “físico” sempre se sabia quem era o agressor, mas no cyberbullying isso nem sempre é possível ou simples, graças à criação de perfis falsos e à rápida proliferação das ameaças, dificultando descobrir sua origem, o que potencializa os danos.
A justiça brasileira atua ainda de forma tímida para combater esse mal, de forma que a melhor forma de prevenção continua sendo a EDUCAÇÃO. Converse com seus filhos, procure conhecer os seus (deles) amigos. Preste atenção em qualquer comportamento retraído ou irritadiço, especialmente em crianças com menos de 10 anos. Mostre a eles que podem confiar em você e que contando os problemas você poderá ajudá-los.
Procure observar os sites e comunidades que eles participam, deixando claro que não é para vigiá-los, mas que é importante que você conheça os colegas e que isso é fundamental para a segurança deles próprios. Não seja intrometido, mas participativo. Não faça “às escondidas”, mas diga claramente seus objetivos, explicando – caso eles não saibam, o que é pouco provável – o que é cyberbullying e quais as consequências dessa prática.
E, por fim, uma última e importante dica: DENUNCIE. Caso suspeite de qualquer caso, entre em contato com uma delegacia e faça seu relato. Você poderá estar salvando uma criança de sérios transtornos psicológicos e físicos.
Ah, em tempo: o cyberbullying não é praticado apenas contra crianças. Professores também são vítimas potenciais, tendo foto-montagens publicadas na internet, além de palavras pouco elogiosas a seu respeito passeando pela rede. Nesse caso, o dano psicológico é sempre menor, por se tratar de adultos que já tem um maior discernimento, mas ainda assim os transtornos são imensos. Em uma pesquisa simples no Orkut, a expressão “Eu odeio o professor” retorna nada menos do que 332 comunidades, espalhadas por todo o Brasil. Isso é cyberbullying puro, é crime explícito.
Lutar pelo fim do Cyberbullying é dever de nós pais e educadores, orientando e educando nossos filhos sobre os malefícios dessa prática. Em outras postagens, voltaremos a esse assunto.
Glossário:
TI: Sigla para Tecnologia da Informação, que compreende o conjunto de atividades e soluções providas por recursos tecnólogicos.
Redes Sociais: Embora existam conceitos mais rebuscados e antropológicos, na internet redes sociais são os sites onde as pessoas se reúnem com interesses comuns, criando e participando de comunidades virtuais. Ex.: Facebook, Orkut, Twitter etc.



27 de Julho de 2010
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